• Adalberto Piotto

O ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão conversou com Adalberto Piotto, no Cenário Econômico, pela TV Brasil. Em pauta, a liberdade de expressão, - que tem limites - o financiamento à Cultura e as leis de incentivo, como a Rouanet, e a necessidade de se trocar as versões pelo fatos nas discussões brasileiras. O ministro expõe seus pontos de vista sobre os debates recentes.


  • Adalberto Piotto

Li há pouco um post sobre os EUA sob Trump, o quanto deixou de ser parte do mundo porque para o seu presidente tudo é “América First”. A crítica, com a qual concordo, é que os EUA erram ao abandonar acordos internacionais de clima, refugiados ou de qualquer concertação internacional. Até aí, sigo o redator. Ou redatores, afinal essa é uma tese de vários analistas atentos do mundo inteiro que veem os Estados Unidos se apequenando com a política de isolacionismo arrogante da atual Washington. Na parte de comentários, um leitor pergunta “e o Brasil?”. A resposta do redator e analista brasileiro: “O Brasil nunca foi um grande país’ Tenho confrontado esse pensamento e seus autores há muito porque discordo com veemência. Isso não é novidade para os leitores que me dão sua atenção. O Brasil que chegou até aqui, fruto de seu passado, é muito melhor que seu presente, o que deveria ofender os contemporâneos e suas análises que desprezam a história e fazem de seu tempo um tempo menor. Na parte de comentários, postei a seguinte resposta: “Sem incorrer em comparações, o Brasil tem sido um país de acolha desde seus primórdios. Erra por dentro, mas não se esquiva nem se contrapõe aos acordos internacionais. Uma ou outra exceção, talvez. Mas há uma grandiosidade neste país que, apesar de suas ineficiências, não separa nem exclui por princípio, apesar de seus passivos sociais que não serão corrigidos sob o exemplo americano. O confronto recente, fruto de radicalismos nos últimos tempos, é mais cópia americana que nossa original maneira de ser. Temos mais talento pra juntar que separar, proteger que abandonar. Nosso drama é de ineficiência social interna, o que ofusca nossos êxitos, nunca de autoafirmação contra os outros, como os EUA de Trump. Isso é grandioso, reconheça-se. Creio que somos, sim, um grande país apequenado por grande parte dos seus e suas ineficiências.” Em suma, o caso brasileiro é de ineficiência, nunca de filosofia segregacionista. Nossas diferenças não resistem a um churrasco e a uma pelada de futebol. E essa ineficiência é a presente, de agora, dos atuais brasileiros. A correção está ao alcance das mãos, apesar de difícil e do longo tempo de reparo. Não reconhecer nossos acertos num mundo dividido é um tiro no pé.

© 2019 Orgulho de ser brasileiro

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