• Adalberto Piotto

( O post abaixo foi publicado no Facebook há dois anos. Tempos de dor pelo ataque terrorista na França e da tragédia de Mariana. Temos de intolerância com a humanidade)

Uma amiga me adverte que há quem esteja criticando os que puseram a bandeira da França sobre suas fotos de Facebook. A isso dá-se o nome de, contaram-me, “avatar temático”. Eu, que raramente adiro a esses meios porque me mobilizo de outras maneiras, desta vez também o fiz. E tenho orgulho de ter feito. Ficará na minha página por dias. Esta aí no alto pra quem quiser conferir. Mas diante dessa polêmica, que inclui um suposto menor envolvimento dos brasileiros com as vítimas de Mariana, no interior de Minas, o que não é verdade, escrevi a ela o seguinte : “Kátia, querida, eu não tenho a menor preocupação com essa gente pequena. Eu me envolvo com o que faço. Denunciei situações como a de Mariana anos atrás e onde eles e elas estavam? Tenho aprofundado as discussões deste país e a falta de envolvimento real dos brasileiros com o Brasil porque acredito ser o único jeito de evitar tragédias como a de Mariana, e não tem sido fácil mobilizar as multidões necessárias. Ambos os casos são de perdas humanas irreparáveis. O caso francês, de uma covardia atroz. O de Mariana, vítima do senso do lucro e do levar vantagem desmesurado, desumano, comum neste país, pouco reclamado antes da tragédia, de qualquer tragédia. O caso de Mariana se resolve com voto certo, cobrança e atuação cidadã. Resolve-se com as pessoas se expondo na cidadania delas, coisa que a média brasileira espertamente se omite de fazer. No caso de Mariana, todas as causas e soluções são absolutamente palpáveis e de efeito bem próximo do imediato. É o que tenho feito, inclusive quando abri mão de empregos para insistir em trabalhos onde eu acredito fazer a diferença de forma maior. Vejo muita gente fazendo isso. E continuam a fazer mesmo diante de dificuldades. Isso tem um preço que só é pago por quem se aventura com apenas a própria coragem motivada pela honestidade intelectual consigo mesmo. A maioria é incapaz de ser honesta apenas com ela própria. Quantos desses pretensos heróis da igualdade social brasileira, hoje reclamões pseudosociais, deram a cara pra bater abrindo mão de privilégios de origem duvidosa ou gritaram ante irregularidades de suas empresas e de seus chefes? A barragem de Mariana estava irregular há dois anos. Quantos funcionários se omitiram para preservar seus empregos? Quantos não estão se omitindo hoje em casos, ainda desconhecidos, que provocarão novas tragédias de barragens e corrupções bilionárias? O caso do terrorismo em Paris, dada essa sensação de impotência e de lidar com o imprevisível, porque o terrorista é um covarde nojento, só a solidariedade nos é possível neste momento. E ela precisa existir porque conforta, porque ampara o desolado, a vítima direta ou indireta que somos todos. Tenho orgulho de por minha foto sob a bandeira francesa. Faria-o por outros na mesma situação. Não sofra, cara amiga, com a pobreza de espírito dessa gente que acordou hoje se achando um cidadão perfeito. Ontem ele certamente não era e, ao criticar a solidariedade dos outros, mostra que continua não sendo. Nem humano. Proteja-se deles, apenas. Bom dia!!! E mantenhamos nossa nobre solidariedade. Precisamos dela pra ofertar e receber. Somos humanos.


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  • Adalberto Piotto

Somos um país, uma sociedade, que evoluiu do diverso para o complexo e que resolveu se assumir, tomar conta de si. Um avanço notório. Não me assusta, portanto, os recentes e acalorados embates entre grupos com visões diferentes. Fosse só assim, já não seria fácil a compreensão e a convivência no nosso tempo. Mas estamos sendo atacados pela desonestidade intelectual de grupos que só ensejam formar tribos para seus propósitos de dominação. Sob o argumento da demência social do famigerado e maldoso “nós contra eles”, o debate tem se tornado uma disputa, uma guerra tresloucada de inocentes úteis sob o comando de canalhas desonestos. Estamos sendo atacados pela desonestidade intelectual de grupos que só ensejam formar tribos para seus propósitos de dominação sem nenhum outro objetivo maior. Sob o argumento da demência social do famigerado e maldoso “nós contra eles”, o debate tem se tornado uma disputa, uma guerra tresloucada de inocentes úteis sob o comando de canalhas desonestos. Eu estudei convictamente Gandhi, Mandela, João Paulo II, Betinho e Rui Barbosa. E vivo sob Merkel e Obama. Manterei-me na linha da generosidade, da tolerância, da defesa das liberdades e da honestidade intelectual. Vou me opor acintosamente aos que tentam fraudar a humanidade e a civilização que nela se instalou.


  • Adalberto Piotto

A liberdade de expressão passa por maus momentos no Brasil. Primeiro, foi confundida com imposição violenta de opinião das exposições controversas recentes e na consequente e virulenta reação que se viu. Imposição de ação ou reação não é liberdade. Embora uma só exista depois da outra, o que, pra ser justo, deveriam ter medidas diferentes na interpretação. Ali, uma provocação desmedida gerou a reação que gerou. No evento, eu faço menção à liberdade de expressão no seu sentido clássico, de abertura ao debate. Qualquer defesa de um ponto de vista discordante do pretenso politicamente correto, da turma da preguiça do pensar, mesmo que você se esmeire em explicar, colocar outros pontos de vista pra aumentar e diversificar o debate real, não adianta. Rotulam você de contrário e pronto. Tornam você um inimigo abatido pelo rotulês impositivo e violento deles às liberdades, inclusive as de expressão.

Que ganho, que avanço ou evolução há nisso?

O politicamente correto é uma ditadura sanguinária por não se permitir ao debate dos discordantes e atacar com virulência desproporcional o contraditório. Mesmo que este esteja apenas querendo resolver o problema na sua origem porque não se contenta com o analgésico da aparente solidariedade da maioria que abraça o politicamente correto.

Ao querer eliminar o contrário, o que pensa por outro ângulo, destrói-se a possibilidade de discussão que, não raro, é o que transforma, convence e faz a sociedade progredir.

Eu prefiro os que se expõem, que se abrem ao debate. Desde que com argumentos e de forma civilizada, mesmo que por vezes com um ou outro ponto de radicalismo, de exacerbação, eu os prefiro. Defendo-os, até.

Tenho receio dos silentes pelo politicamente correto. É neles que o preconceito, de todo tipo, não se resolve e que costuma vir a maioria dos votos que elege os canalhas que achincalham a política e atrasam o país.

© 2019 Orgulho de ser brasileiro

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