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domingo, 25 de outubro de 2015
Orgulho de Ser Brasileiro projeta o Brasil em Harvard e Columbia

Documentário dirigido pelo jornalista Adalberto Piotto será exibido dia 27 de outubro, na Harvard University, em Cambridge, Massachussets; e no dia 29, na Columbia University, em Nova York.

Por Wagner Sturion

Quais motivos você tem para se orgulhar do Brasil? O bom brasileiro não consegue enumerá-los. Sequer descrevê-los. Orgulho é algo que preenche o peito de tal satisfação que se ela não for expressa é capaz de explodir emoções. O brado retumbante de um povo heroico retrata o gigante pela própria natureza, a pátria amada e seus raios fúlgidos, a terra adorada entre outras mil, no filme sempre atual do jornalista e cineasta Adalberto Piotto, “Orgulho de Ser Brasileiro”, que agora será exibido em duas das mais importantes universidades do mundo: dia 27 de outubro, na Harvard University, em Cambridge, Massachussets; e no dia 29, na Columbia University, em Nova York.
Os convites ao diretor foram feitos pelo cientista político e pesquisador de Harvard, Hussein Kalout, e do mestrando da Escola de Mestrado de Columbia, Marcello Bonatto. De acordo com Kalout, “o documentário explora com perspicácia as raízes idiossincráticas do vívido sentimento da identidade nacional Brasileira. Trata-se, indubitavelmente, de um verdadeiro resgate do Brasil de contrastes. É um documentário marcante, intenso e brilhante”.

“Orgulho de Ser Brasileiro” provoca o espectador com a sua narrativa dinâmica. A reflexão é praticamente simultânea. Impossível não concordar, discordar, torcer e se retorcer na cadeira com algumas opiniões. A fotografia conceitual explora vários ângulos dos entrevistados e deixa os depoimentos ainda mais instigantes. Permeado por trechos do hino nacional, interpretado por Badi Assad, impossível não se emocionar e cantar mesmo que mentalmente a nossa principal riqueza, o Hino Nacional. “Um filme que reitera o que temos de nos orgulhar e expõe o que temos de corrigir”, segundo o diretor.
Para quem ainda não assistiu, o documentário discute o sentimento envolto na mais emblemática frase que se ouve no País – e que dá título ao filme – a partir dos depoimentos de cidadãos que se orgulham de sua nacionalidade brasileira como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o artista plástico Romero Britto, o técnico da seleção brasileira na Copa de 94 Carlos Alberto Parreira, a geneticista Mayana Zatz, a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva, o dramaturgo Gerald Thomas, os músicos Simoninha e Max de Castro, o filósofo Roberto Romano, entre outros.
Na opinião de Bonatto, da Columbia University, em tempos conturbados, o documentário cumpre um papel importante: o de engajar o espectador em um debate sobre o sentimento de ser brasileiro e sobre o que desejamos para o nosso País. “’Orgulho de Ser Brasileiro’ é um filme que incomoda porque traz à tona os paradoxos que fazem parte da identidade brasileira. Piotto conduz uma narrativa que revela as contradições de nossa sociedade. Do escritor da periferia ao ex-presidente da República, os personagens constroem a sua própria ideia de Brasil. Ao espectador, cabe concordar ou discordar. Mas, sobretudo, deve-se aceitar a provocação. Para o brasileiro, ser é não ser. Corrupto é sempre o outro. Se queremos transformar o País, precisamos tomar um passo gigante em direção à cidadania plena. Para tanto, o brasileiro precisa cobrar de si o que cobra do outro. Lançado em 2013, ‘Orgulho de Ser Brasileiro’ continua atual e busca em cada brasileiro a resposta para fazer do Brasil um País melhor.”

Mais sobre o filme
O “Orgulho de Ser Brasileiro” foi lançado em 2013 e reúne 15 entrevistados num dos mais inovadores e ousados filmes sobre o Brasil e sua sociedade. Já foi exibido em várias cidades e capitais brasileiras, selecionado para a mostra principal do Cine PE, das exibições e eventos do Focus Brasil em Fort Lauderdale, Londres, Hamamatsu e Oslo.
Também faz parte do acervo do King’s College London, em Londres, onde foi exibido em plena Copa do Mundo de 2014, do acervo do MIS de São Paulo, da Cinemateca e teve quase 3 mil DVDs distribuídos gratuitamente a escolas, universidades, sindicatos e institutos de estudo do Brasil e do exterior como contrapartida espontânea do diretor Adalberto Piotto.
O filme, que ficou em cartaz durante um ano no NetFlix , está disponível no Brasil nas plataformas on demand do NOW, da Net, e da locadora virtual LOOKE (looke.com.br).
O Orgulho de Ser Brasileiro é um filme independente cuja carreira internacional chama a atenção. É provocador e rompe com as estéticas habituais dos filmes do cinema nacional que discutem o Brasil. Não por isso, chama a atenção de pensadores aqui e fora do país.

Depoimentos sobre o filme Orgulho de Ser Brasileiro
(Acadêmicos brasileiros e estrangeiros e críticos)

Hussein Kalout – Cientista Político e Pesquisador da Universidade Harvard.

“O documentário do jornalista Adalberto Piotto explora com perspicácia as raízes idiossincráticas do vívido sentimento da identidade nacional Brasileira. Trata-se, indubitavelmente, de um verdadeiro resgate do Brasil de contrastes. É um documentário, marcante, intenso e brilhante.”

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Marcello Bonatto, escola de mestrado em política na Columbia University

Em tempos conturbados, o documentário produzido por Adalberto Piotto cumpre um papel importante: engaja o espectador em um debate sobre o sentimento de ser brasileiro e sobre o que desejamos para o nosso país. “Orgulho de Ser Brasileiro” é um filme que incomoda porque traz à tona os paradoxos que fazem parte da identidade brasileira. Piotto conduz uma narrativa que revela as contradições de nossa sociedade. Do escritor da periferia ao ex-presidente da República, os personagens constroem a sua própria ideia de Brasil. Ao espectador, cabe concordar ou discordar. Mas, sobretudo, deve-se aceitar a provocação. Para o brasileiro, ser é não ser. Corrupto é sempre o outro. Se queremos transformar o país, precisamos tomar um passo gigante em direção à cidadania plena. Para tanto, o brasileiro precisa cobrar de si o que cobra do outro. Lançado em 2013, “Orgulho de Ser Brasileiro” continua atual e busca em cada brasileiro a resposta para fazer do Brasil um país melhor.

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Marcos Petrucelli, crítico de Cinema, Rádio CBN

“Em algum momento da minha vida, caso o jornalista e cineasta Adalberto Piotto me perguntasse “Você tem orgulho de ser brasileiro?”, muito provavelmente eu não saberia responder de forma direta. Num passado não muito distante, havia coisas e situações que me motivavam a ter esse orgulho. Outras não. Hoje, no entanto, eu teria mais firmeza na resposta. Assim como posso afirmar que orgulho, mesmo, é saber que ao menos algumas mentes brasileiras, como a de Adalberto Piotto, foi capaz de ousar na pergunta, na forma e na estética para realizar o doc “O Orgulho de ser Brasileiro”. Além de um exercício do bom e velho jornalismo levado a sério, Piotto nos entrega um filme capaz de nos fazer refletir e colocar em discussão tudo aquilo que já fomos, somos e ainda podemos sonhar em ser enquanto cidadãos desse gigante chamado Brasil.”

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Roberto Romano, filósofo, professor de Ética Política da Unicamp

“O filme Orgulho de ser brasileiro põe as consciências diante de uma polissemia estratégica. Sempre que se fala em “orgulho” ligado a um país, se espera uma catarata de nacionalismos, sectarismos,
patriotismos baratos. O título dado por Adalberto Piotto desengana quem segue as trilhas da propaganda, governamental ou social. Com análises sóbrias de pessoas empenhadas nos variados setores da cultura, o filme expõe problemas e indica soluções, longe das receitas partidárias e dogmáticas que entravam a compreensão de um povo. A obra vale como documento e análise, serve para quem deseja conhecer o Brasil de ontem, de hoje e de amanhã”.

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Roberto Damatta, antropólogo e escritor

Eis o depoimento que dou com muito gosto:
“Eis uma reflexão sobre o Brasil que, além de reunir muitas vozes, traduz uma visão clara, honesta e esperançosa de um país com suas contradições e denominadores comuns. Vale ser visto e discutido.

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Russell Landsbury, University of Sydney Business School Emeritus Professor, Australia

‘The Pride of Being Brazilian’ is highly recommended to be seen by everyone with an interest in Brazil. Adalberto Piotto has directed a superb film which features a wide range of influential Brazilians from different walks of life and provides great insight into this dynamic and vibrant nation

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Marcos Santuário, Jornalista, crítico de cinema e editor de Cultura do Jornal Correio do Povo, Porto Alegre. Coordenador da pós graduação em jornalismo da Universidade Feevale.

Foi na tela grande que vi pela primeira vez o trabalho lúcido e corajoso do jornalista Adalberto Piotto em “Orgulho de Ser Brasileiro”. Com ritmo e intensidade, sua narrativa dá voz a pensamentos e sentimentos que ajudam a tecer uma maior compreensão do emaranhado e maravilhoso universo de nossa identidade e nossa cultura… Mais do que competente jornalista, Piotto se apropria com talento dos recursos do audiovisual para provocar, instigar e refletir, criando documento para a história contemporânea…

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Cláudio Lacerda, professor da Universidade de Pernambuco, cirurgião

“Orgulho de Ser Brasileiro” revela com maestria as virtudes de uma nação singular. Uma obra edificante”.
Forte abraço Piotto,

Professor Anthony Pereira Director, King’s Brazil Institute, King’s College London

It was a pleasure to exhibit your film “Orgulho de Ser Brasileiro” at the Brazil Institute and to hear your answers to the many questions from members of the audience. The event was very interesting, and of obvious value to the King’s community and the general public. Thank you for donating a copy of the film to the Brazil Institute. The DVD is now in the film archive that we make available to our students. The film will be an invaluable resource to our master’s and PhD students.

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Leandro Fraga, professor Fia-USP.
Assisti ontem ao “Orgulho de Ser Brasileiro”, documentário realizado pelo jornalista Adalberto Piotto. O filme faz um mosaico, constrói um tecido delicadamente entrelaçado das opiniões de 16 entrevistados, personalidades de diversas áreas, brasileiros por nascimento ou opção, morando no país de origem ou fora dele. Embora o peso e a consistência das opiniões varie, até em função da própria experiência de vida de cada entrevistado, o filme já cumpriria bem o seu papel original de provocar um debate sobre o que é ser brasileiro, sobre o que somos e podemos vir a ser. Mas, hoje, não. Muito além disso, o que mais chama a atenção é o caráter quase premonitório de alguns trechos dos depoimentos. Iniciado em 2012 e terminado no primeiro trimestre de 2013, estão recolhidas ali falas que chegam a espantar, tamanha a sua sintonia com o que ocorre nas últimas semanas. Ouvem-se comentários sobre o acordar iminente do “Gigante Adormecido”; sobre as camadas de emergentes econômicos que haverão de querer mais que isso; sobre o que seria se “os 150 milhões de menos favorecidos fossem às ruas”; sobre a nossa eventual incapacidade de lidar com o cenário político vigente por mais tempo; sobre ética e serviços públicos. É, enfim, um documento atestando o quanto já sabíamos – talvez sem a exata consciência disso – de que algo estava sendo gestado na nossa sociedade. A conclusão a que cheguei foi que o “Orgulho de Ser Brasileiro” fala mais sobre o futuro do que possivelmente se podia imaginar no seu início. E, também, do quanto este debate – hoje agudo, porém menos intenso e qualificado do que poderia – precisa continuar e se aprofundar para levar às mudanças que tantos de nós afirmam querer.

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Luciano Pires
Palestrante e editor do Café Brasil

Assisti ao documentário Orgulho de Ser Brasileior ontem e é impossível permanecer inerte diante das opiniões das várias pessoas entrevistadas e das opiniões manifestadas. Saí da sessão triste, feliz, com raiva, motivado, arrasado, provocado e profundamente incomodado. E isso é muito bom.

Serviço:

Orgulho de Ser Brasileiro, 2013

Gênero: Documentário
Produção: Piotto Produções
Direção: Adalberto Piotto
Longa-metragem: 87 minutos
Site: www.orgulhodoc.com.br
Facebook: /Orgulhodeserbrasileirodocumentario


sábado, 27 de junho de 2015
Assista ao “Orgulho” no LOOKE e no NOW da Net

O filme Orgulho de Ser Brasileiro, do diretor Adalberto Piotto, está na locadora virtual Looke.

O filme teve temporada de um ano no NetFlix, continua no NOW da Net e agora também está disponível no novo portal.

Assista ao “Orgulho” no Looke: https://www.looke.com.br/search/orgulho%20de%20se


sábado, 27 de junho de 2015
Só depende de nós. E não é conselho de autoajuda

A mesma constatação sobre o Brasil e os brasileiros pode ser uma notícia boa ou ruim, dependendo do nível de honestidade intelectual de cada um.

A solução dos problemas brasileiros só depende do Brasil, ou seja, dos próprios brasileiros.

Pra mim, isso é uma boa notícia que só pode se deteriorar se não assumirmos o país de vez, não tomarmos conta do Brasil pra valer.
Digo isso desde 2012, quando filmei o Orgulho de Ser Brasileiro (Entrevista com o diretor: https://youtu.be/CplOHGN-xt4 ).

Se houver exceções, a parte significativa dos problemas do país só precisa de nós.

Temos feito a tarefa de casa com displicência insuportável.

Sei que a tentação de apontar todos os dedos da mão para o governo e os políticos é sedutora.

Colegas meus jornalistas o fazem sempre. Dá retorno só para eles o seu comportamento de manada ou de torcida diante dos sermões e urros de indignação. Mas seu sentimento de justiceiro é efêmero e termina no primeiro imposto abusivo que você terá de pagar ou artigo de jornal relatando outro desmando ou incompetência da presidente, por exemplo, a “mulher sapiens”, uma cópia malfeita do lendário Vicente Mateus que se diz vítima de “preconceito sexual”, por ser mulher, em vez de “preconceito de gênero”.

Eu tenho provavelmente críticas semelhantes à condução do governo. E sofro tanto quanto outro ativista de cidadania plena.

Mas além de apontar os erros, tento diariamente mudar o cotidiano e construir uma sociedade menos dependente do governo e mais autônoma.
E no liberalismo que está a solução porque estabelece regiamente os deveres e direitos de cada um.

Esse é o caminho. Menos Brasília na vida de todos nós. Menos poder para o governo, mais poder, deveres e autonomia para os cidadãos.

Mas isso vai precisar de mais que sua indignação.

Vai precisar de você por inteiro, sem vitimismo, sem esperar por atalhos e disposto a se envolver pra valer.

Tomar conta do país.

Assumir o Brasil de verdade.


quarta-feira, 24 de junho de 2015
Orgulho no LOOKE!!!

O filme Orgulho de Ser Brasileiro, do diretor Adalberto Piotto, está na locadora virtual Looke.

O filme teve temporada de um ano no NetFlix, continua no NOW da Net e agora também está disponível no novo portal.

Assista ao “Orgulho” no Looke: https://www.looke.com.br/search/orgulho%20de%20se


segunda-feira, 23 de março de 2015
Orgulho de discutir

Assista ao documentário Orgulho de Ser Brasileiro no NetFlix e no NOW.


segunda-feira, 02 de junho de 2014
Orgulho no King’s College de Londres

A Copa será no Brasil, mas o filme Orgulho de Ser Brasileiro vai jogar fora.

Convidado pelo King’s College de Londres e com promoção exclusiva da Culturart Brazilian Art Culture & Events , o filme terá exibição especial no dia 23 de junho, às 18h.

A exibição será seguida de sessão de debate com o diretor Adalberto Piotto que estará em Londres.

Serviço:ORGULHO DE SER BRASILEIRO – THE PRIDE OF BEING BRAZILIAN
Location: Lucas Lecture Theatre (room S-2.18)
Strand Campus
CategoryFilm Screening
When 23/06/2014 (18:15-20:30)
Contact: events@culturart.co.uk


quarta-feira, 21 de maio de 2014
Orgulho terá exibição especial em Piracicaba!

Depois de passar por São Paulo, Brasília, Campinas, Manaus, Fortaleza, Fort Lauderdale, Hamamatsu e Londres, o filme Orgulho de Ser Brasileiro, do diretor Adalberto Piotto, chega a Piracicaba.

E exibição acontecerá nesta quinta, 22 de maio, às 18h30, no teatro da ACIPI.

Com parceria do CIEE São Paulo, o filme tem sido levado a várias cidades brasileiras onde depois da exibição é seguido de um debate com o diretor que vai às sessões pessoalmente.

Em Piracicaba, não será diferente. Adalberto Piotto confirmou presença.

Piotto nasceu na vizinha cidade de Rio das Pedras e estudou parte da vida em escolas de Piracicaba.

Informações pelo email: cieep@cieesp.org.br


quarta-feira, 07 de maio de 2014
Os motivos de filmar o “Orgulho” e o Brasil

Por Gabriel Leão
Site Terceiro Tempo

Em 2011, Adalberto Piotto deixou um cargo estável de nove anos como apresentador da CBN para investir em documentários. Desta empreitada nasceu o filme Orgulho de Ser Brasileiro, lançado ano passado e pelo qual o jornalista e agora cineasta segue viajando pelo país e mundo o divulgando em mesas de debates.

Antes passou por veículos reconhecidos como Rede Globo e Rádio Bandeirantes. Com a obra Orgulho de Ser Brasileiro coloca personalidades do calibre de Fernando Henrique Cardoso, Marina Silva e o técnico de futebol Carlos Alberto Parreira para discutir a identidade nacional assim como os aspectos negativos e positivos da nação. Em entrevista exclusiva ao Terceiro Tempo Piotto fala desta experiência e as expectativas do país nos esportes.

Como foi produzir o documentário Orgulho de Ser Brasileiro?

O filme é resultado de um incômodo meu, pessoal, que provoco no filme para ser de todos e que trata dessa instabilidade dos sentimentos dos brasileiros com o Brasil. Sempre me incomodou profundamente o uso da expressão “orgulho de ser brasileiro” num dia, por algo bom que tínhamos feito como país, e no outro dia, diante de uma simples rua suja, suja pelos próprios brasileiros, o orgulho já se transformava em vergonha. Isso expõe claramente essa mania nacional de não assumir o país inteiro, de não tomar conta do Brasil de verdade, pra valer. Queria provocar essa discussão de forma real e, por isso, arrisquei tudo o que tinha para fazê-la acontecer: recursos próprios para pagar o filme no final (o começo foi financiado por lei de incentivo), narrativa, fotografia e perfil de entrevistados. Aboli o estilo “favela-movie” de expor os pobres como culpados pela desgraça brasileira. Até porque miséria não comove quase ninguém mais neste país. Se comovesse, as pessoas responderiam às dores da população mais pobre que é mostrada e fala diariamente nos telejornais brasileiros. Responde? Comove-se? Daí, busquei um outro perfil de entrevistados, de brasileiros que ascenderam socialmente, que “deram certo” no país que ainda teima em não dar certo para muita gente. Isso me deu a possibilidade de provocar o debate novo, o debate que tirasse as pessoas dessa imensa mentira que são as zonas de conforto que alguns brasileiros imaginam estar. E consigo isso porque o filme revela que as carências, reclamações e aspirações por um país melhor são muito semelhantes entre todos os brasileiros, independentemente de classe social. Ou seja, acabei de juntar o país. Se alguém assistir ao “Orgulho” e depois não se enxergar parte de um mesmo Brasil, mesmo que vivendo de forma e em bairros distintos, com mais ou menos dinheiro, será a negação de si próprio.

Desde o seu lançamento o que pode falar da repercussão?

Bem, tem dois aspectos: o filme é independente como produção, na distribuição e o próprio diretor é intelectualmente independente. Tanto que não sucumbi a fazer o fácil que seria fazer outro filme sobre miséria brasileira com sentimento de culpa inócuo e conveniente para o coleguinha ao lado ver e mentir pra si mesmo também. Algo comum entre os cineastas e espectadores brasileiros, normalmente acomodados, que se limitam a mostrar e ver a miséria pela tela do cinema e escrever sobre ela no seu computador ou discutir sobre o assunto numa sala tranquila. O meu filme faz com que quem o assista questione a sua própria miséria enquanto brasileiro, a sua miserável cidadania, o seu misérável comportamento social. O “povão” que antes ficava confinado e à distância no bairro miserável retratado no favela-movie, agora é também ele mesmo, o espectador. Ele, no meu filme, também é povo ou “povão” brasileiro. Vai ter de dar resposta pra si mesmo e para seu semelhante de classe social sobre seu comportamento. Acabou o recreio! Não poderá mais fazer uso do distanciamento seguro que usava para se imaginar superior ante as periferias sociais e culturais do país retratadas nos fáceis filmes de miséria brasileira. Por esses aspectos, a repercussão entre a crítica de cinema e mesmo na imprensa foi, com exceções, em parte pequena e agressiva, ruidosa, de falso desdém, apesar do tamanho da discussão existente do filme. Amarelaram, fugiram do debate. Mas, por outro lado, nas muitas exibições que faço do meu filme pelo Brasil e pelo mundo, o público, que é quem realmente interessa, debate vigorosamente os temas. O que comprova minha tese de que tem muita gente neste país disposta a discutir o Brasil de verdade, desde que tratada com honestidade e transparência. O filme lhes dá isso…essa oportunidade. Ou seja, apesar do atraso sócio-antropológico da crítica de cinema e do jornalismo, quando as pessoas assistem ao filme, minhas dores de divulgação diminuem e o filme é convidado e ser exibido aqui e no exterior com frequentes convites para debates com o diretor. Já passou por São Paulo, Recife, Brasília, Campinas, Londres, Hamamatsu, no Japão, Fort Lauderdale, na Flórida, e vai para Fortaleza, Manaus, Piracicaba, no King’s College de Londres, Oslo, Paris, Lisboa e acaba de estrear nos serviços de video on demand das principais operadoras como o NOW, da Net, a GVT, o Net Flix, a Apple TV, o Google Play, o site da livraria Saraiva, etc. Isso sem contar a imensa distribuição social de DVDs que fiz para escolas, universidades, sindicatos, etc.

Um dos temas tratados é a representatividade do futebol para o povo brasileiro sendo um dos entrevistados o técnico Parrera. Qual sua posição sobre essa relação do país com o futebol?

O futebol é um misto de energético e analgésico no Brasil. Como é tudo o que te emociona, que te envolve. Mas, como analgésico, diminui a dor, mas não cura a infecção. E como energético, te dá mais força, mais alegria, mais motivação naquele momento, mas não te deixa em pé no dia seguinte. Ou seja, dá ao brasileiro o refresco de que todos precisamos nas horas mais difíceis, mas não deixa as pessoas completamente desconectadas da realidade. Se isso acontece ainda, é cada vez menos. O Brasil está avançando na sua compreensão social. Por isso, seria tão estúpido punir o futebol, que fazemos bem, somos muito bons, quanto usá-lo para dirigir politicamente este país. Tanto que o futebol é a simbiose brasileira mais perfeita. Temos um talento particular, individual, especial no campo e somos uma tragédia coletiva imensa em organização. É ou não o Brasil individualista que sempre dá certo e errado ao mesmo tempo?

Como avalia as manifestações contra a Copa do Mundo?

Você fala do tal “Não vai ter Copa”? Esse eu acho ridículo e fora do seu tempo. Eu, por exemplo, fui contra a Copa do Mundo em 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, quando era possível ser contra e discutir o evento. Mas o Brasil e os brasileiros, em sua maioria, seduzidos pelo maniqueísmo e a popularidade populista do Lula presidente, embarcou nessa aventura irresponsável. Muitos dos que hoje reclamam, a maioria, arrisco dizer, se omitiram ou se deslumbraram na época. Hoje não é mais possível ser contra. Por isso, vou fazer o que posso para que as coisas deem certo. Isso sem deixar em momento algum de fazer o que sempre fiz, como muitos neste país, que é questionar cada centavo gasto arbitrariamente num evento que não deveria acontecer. Embora os brasileiros se achem espertos, mais espertos que os outros, foram muito tolos e ingênuos de acreditar na tese de que é preciso uma Copa ou uma Olimpíada para ter serviços de qualidade no país. Em 2007, quando da decisão da Fifa, questionei isso num quadro de discussão sobre esportes que criei na CBN para qualificar o debate esportivo, o “Quatro em Campo”. Victor Birner e eu fomos os únicos a nos posicionar com essa tese. Nossos outros colegas abraçavam esse argumento ingênuo de que a Copa traria mais infraestrutura e que só com ela os serviços de qualidade viriam. Hoje, pensam diferente, tal como uma grande parte da população esperta e deslumbrada de antes.

Acredita que dirigentes dão aos demais esportes tratamento comparável ao futebol ou até mesmo digno?

Não. Imagina!!! Só o futebol tem no Brasil apreço e apoio da massa dirigente e popular. E mesmo assim, o profissional. Esporte no Brasil nunca foi um projeto de Estado, um programa social de educação e saúde. Não amplamente como deveria ser.

Ferréz e Dom Angélico Sândalo Bernardino falam de exclusão social no filme. O esporte pode ser uma forma de inclusão?

Poderia, até consegue ser para os poucos que ascendem, mas não é uma coisa natural como deveria. Qual a importância que o esporte tem nas escolas brasileiras? É sub-disciplina dada, na maior parte das vezes, por sub-professores.

A imprensa brasileira consegue ir além dos gramados de futebol em sua cobertura?

A imprensa esportiva, em sua maioria, não. É deslumbrada, pouco politizada e com baixo nível de compreensão sócio-antropológica, o que é um nome acadêmico para a simples ausência de compreensão social do Brasil e do mundo. Mas há exceções, mesmo no mundo esportivo. E a imprensa de outras editorias já faz isso muito bem. Aliás, é quem tem dado sustentação, ao lado dos poucos jornalistas de esporte que têm esse entendimento, a toda essa indignação que finalmente tomou conta dos brasileiros com os abusos nos gastos com a Copa, da tese mentirosa de que só com Grandes eventos os brasileiros ganhariam cidadania e com essa maldita ética do futebol que se julga particular e diferente da ética em si, como se isso fosse plausível.

No Twitter: @gabrielleao
Foto: Adalberto Piotto/Divulgação


segunda-feira, 05 de maio de 2014
Orgulho no NOW e no NetFlix

Muito antes das manifestações de junho de 2013…

Muito antes do julgamento do mensalão…

Já tinha muita gente discutindo o Brasil e os brasileiros pra valer.

Orgunho de Ser Brasileiro, um filme de Adalberto Piotto que vai fazer você pensar.

Já disponível no NOW, da Net, no NetFlix, na GVT e no site da Saraiva.


segunda-feira, 05 de maio de 2014
Orgulho em Fortaleza!

O filme Orgulho de Ser Brasileiro, do diretor e jornalista Adalberto Piotto, terá exibição especial e aberta ao público nesta quinta, às 18h30, com a presença do diretor para um debate pós-sessão.

A exibição acontecerá no auditório da Câmara dos Dirigentes Lojistas, no centro de Fortaleza.

O “Orgulho” é um documentário que inova na discussão real do Brasil e dos brasileiros.

Para assistir, basta se inscrever gratuitamente pelo telefone (85) 4012 7614 ou pelo email alynne_rodrigues@cieesp.org.br